domingo, 21 de maio de 2017

ENSINA-NOS A ORAR

         
Os nossos desafios são enormes no que dizem respeito a levar uma vida de oração. Tudo ao nosso redor parecem conspirar contra uma vida de oração profunda. Temos tudo para nos acomodar com a vida que levamos. Dispomos do nosso trabalho para manter as despesas pagas, fazemos nossos cursos para nos preparar melhor face às exigências do mercado e mundo capitalista, recorremos aos médicos e remédios em caso de doença; se o casal tem dificuldades para gerar filhos procura na medicina os meios de fertilização; mesmo o homem do campo busca nos centros de pesquisa meteorológica as condições do tempo para uma boa plantação. Na falta de dinheiro recorremos as várias linhas de crédito que os bancos nos oferecem.
            Os nossos templos são confortáveis. Boas cadeiras, ar-condicionado, som e instrumentos de qualidade, telão para projetar textos e imagens, etc. Temos músicos bem dotados, salas de reunião para jovens e crianças, gabinete pastoral... Tudo isso é benção... Mas todo esse conforto e condições favoráveis podem se tornar entraves e gerar maldição se não houver quebrantamento, humildade, busca sincera a Deus e dependência total dele.
 Para ser um pastor, hoje em dia, basta fazer um curso teológico. Fez o seminário e pronto; o cara já é chamado pastor. O santo ministério termina sendo levado para a esfera profissional. Nada contra seminários (ele tem o seu lugar), eu tenho dois cursos e me sinto feliz por tê-los feito. Mas, tenho certeza do meu chamado porque ele veio diretamente de Deus. Eu não “ouvi um assovio”. O Pastor José Belarmino do Monte (já falecido - professor de Teologia e outras disciplinas no Seminário Batista do Nordeste) dizia que “o camarada ouvia um assovio e pensava que era um chamado de Deus para o ministério”. No meu caso, ouvi realmente o chamado ainda criança.
            Digo o isso para que entendamos que toda essa estrutura tecnológica – cientifica e religiosa é favorável ao abandono da oração. Orar é visto como um “não fazer nada”. Então, argumentamos ainda que inconscientemente: “Porque orar se eu posso fazer tudo sozinho?” Nosso estilo de vida nesse século XXI reflete claramente a ideia da independência e presunção. Já ouviu aquela frase: “Tem que correr atrás”? Isso é um sinal muitas vezes, que não contamos ou não levamos em conta a vontade do Senhor. Nós mesmos vamos à busca do que queremos porque “sabemos” o que queremos. Nós nos bastamos. Somos uma geração antropocêntrica, o homem está no centro e no comando de tudo. Eu penso que Deus vai abalar essa geração e nos mostrará que as coisas não são bem assim.
            Os homens bíblicos buscavam ao Senhor constantemente. Eles estavam sempre em oração. Queriam conhecer mais a Deus bem como ter dele direção para a vida. E, por isso marcaram a história humana. O que nos faz pensar que podemos caminhar sem a prática da oração? Somos melhores do que eles em que?  Sim, Temos a Tecnologia e possivelmente, o que nos diferencia deles hoje é a ciência super avançada. Mas e daí? Possivelmente diferimos deles no fato de que podemos pecar de forma mais sofisticada. E isso é algo muito sério e estarrecedor porque vivemos Sodoma e Gomorra em proporção universal. Tal situação deveria nos levar aos pés do Senhor Jesus com muito temor e tremor. Dispomos de toda essa parafernália tecnológica para também fazermos as coisas mais absurdas e imundas sobre essa terra, como: Aborto, pornografia, pedofilia, idolatria, disseminar mentira engano, racismo, ódio, preconceito, etc. Nada contra a tecnologia e coisas modernas. Elas podem e devem (ou deveriam) ser utilizadas para o bem. Entretanto, o mal tem usufruído de forma avassaladora desses instrumentos modernos.
            O que eu quero dizer é que o homem do século XXI continua sendo humano e pecador; portanto, precisando desesperadamente de Deus. Até o tema “pecado” hoje em dia tem sido levado para a relatividade. Pecado tornou-se assunto para se ficar filosofando e levando para o relativismo. Ou seja; O que é pecado pra mim, pode não o ser pra você; e então bla, bla, bla...  Alguns chegam a afirmar enfaticamente que não existe pecado. Percebem para onde tem caminhado essa geração?
            E o povo que se diz crente ou evangélico, como está? Se o escritor Pr. Caio Fábio já dizia no século XX (década de 80 a 90) que aquela geração era uma geração que havia “desaprendido a orar”, podemos dizer que essa geração do século XXI não aprendeu a orar. Mas, se quiser, pode aprender a orar sim. E creio que orará como nunca uma geração orou. É lamentável o que vemos em nosso meio. A oração tem sido relegada a um ato meramente religioso, destituída de vida e poder. Consequentemente, sofremos muitas percas pela falta dela na vida dos crentes. A igreja tem sido vencida pelo pecado, ela tem perdido o gosto pela Palavra; a verdadeira adoração tem sido trocada por shows gospel e dublagens, o evangelho pregado hoje tem sido meramente oferecido como mercadorias (bênçãos), ou seja, a fé mercadejada. Logo, temos em nosso meio um povo interesseiro naquilo que Deus pode dar ao invés de termos pessoas querendo se arrepender de seus pecados e se voltar para o Deus Vivo!
            Se não há oração, falta poder e autoridade espiritual. É notória a falta da presença de Deus em muitos lugares. A solução encontrada por certos “ministros” para justificar a ausência da unção do Espírito Santo é recorrerem a certos “truques”. Usam os expedientes mais absurdos tais como: correntes com títulos tirados da Bíblia. Fazem campanhas utilizando apetrechos como: rosas, água, óleo, balas (bombom) “ungidas”, vassouras “ungidas”, tapetes “ungidos”, etc. Tudo isso para fazer o povo motivado a participar de tais reuniões. Todos os dias fazem festinhas nessas igrejas (dizem que nosso povo é festeiro). Então, tome-lhe festa nas congregações. Festa das crianças, festa das senhoras, festa do grupo de louvor, festa da rede de homens, festa dos diáconos, festa do aniversário do círculo de oração, e lá vão eles com tantos “festejos”; afinal, tem que criarem motivos para reunir o povão. Deus não é mais o motivo dos cultos em muitos ambientes. Convidam atrações gospel: Cantor (a) de renome, ou um ex-bruxo, ex-gay, ex-ladrão (tem que ser um ex-alguma-coisa para dar público). Instalam equipamento de luzes e fumaças nos púlpitos, etc. A imaginação de alguns líderes vai longe quando se trata de criar situações para ganhar vidas e prende-las em suas denominações. Porém a presença de Deus não está mais nesses lugares. A mulher de Finéias colocou o nome do filho que acabara de nascer quando a arca da aliança foi levada de Israel: Icabô que quer dizer sem glória, sem presença de Deus. Quando Deus não está tudo morre. Sem a presença d’ELE o culto não passa de mero ritual religioso... (I Sam. 4: 18-22).
            A simples fé na Palavra de Deus não é mais suficiente no meio gospel. Precisamos voltar às Escrituras rapidamente e sair dessas invencionices e truques carnais que não levam a nada!
             Acredito que precisamos nos envolver mais com o Espírito Santo, orando como de fato a Palavra nos mostra, e entrarmos naquele lugar em Deus onde tudo é possível.  Quando ELE está presente não precisamos de truque nenhum.

            Os discípulos não pediram a Jesus para ensiná-los a pregar, fazer o grupo crescer, curar ou fazer milagres. Eles pediram: “... Senhor ensina-nos a orar...” (Lucas 11:1). 

(Essa é uma parte da minha apostila "Língua de Oração").

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